É uma associação composta por cristãos de várias denominações, unidos com um só propósito - apoiar integralmente à expansão do reino de Deus no sertão nordestino. Nosso foco são as pequenas localidades com
menos de 1% de evangélicos, onde buscamos participar de ações de plantação e fortalecimento de igrejas.
Para tanto, desenvolvemos diversas atividades em vários estados brasileiros; nas Igrejas, nas praças, escolas, feiras, congressos, esquinas... enfim, aonde quer que Deus nos oriente temos nos esforçado em chegar lá com a mensagem da salvação para os que ainda não crêem, enquanto que aos que crêem levamos o desafio de um maior envolvimento com a obra missionária.
Fazemos tudo de uma maneira bem contextualizada, usando a riquíssima cultura nordestina em suas mais diversas expressões.
P.E.S. - Programa de Evangelização do Sertão: Atividade de plantação e fortalecimento de Igrejas em povoados e sítios do sertão, com menos de 1% de evangélicos, realizada durante um final de semana ou nos meses de férias (Janeiro e Julho), onde de 25 à 40 obreiros de várias localidades e várias denominações se reúnem e dispõem dos seus dons e talentos na prática da evangelização no sentido mais amplo possível. Durante o P.E.S. desenvolvemos diversos trabalhos, tais como: Evangelismo nas casas: Duplas de evangelistas são distribuídas, estrategicamente, afim de anunciarem, nos lares da localidade eleita para realização do P.E.S., o plano da salvação. - Nas praças: Programações evangelísticas desenvolvidas em locais que, naturalmente, tenham boa movimentação de pessoas. - Com as crianças: Atividade específica para crianças com uso da música, palhaços, brincadeiras e historinhas que falam da salvação.- Marcha "Protesto Contra o Pecado": Passeata pelas principais ruas da localidade com música ao vivo, orações de intercessão, distribuição de panfletos e pregações. - Programações e participações em rádios e difusoras.- Serencesta: Serenata com distribuição de cestas básicas.- Carro de som: Veículo provido de sistema de som que anuncia as atividades em desenvolvimento. Ação social que tem como objetivo de socorrer ao necessitado, facilitar a abertura à pregação do Evangelho e motivar a comunidade local à participar das demais atividades de evangelismo. A abrangência varia com a disponibilidade de profissionais, material e carência da região, algumas delas, porém, decorrem com maior freqüência: Corte de cabelo- Distribuição de cestas básicas Distribuição de roupas Assistência médico/odontológica 2. Atividade de divulgação de missões Sal da Terra Pelo Sertão: Participação em programações nas igrejas dos grandes centros urbanos (cultos de missões, conferência missinárias, congressos...) Com objetivo de divulgar a obra missionária no sertão e conclamar a comunidade cristã a envolver-se com a obra missionária. 3. SAM - Serviço de apoio missionário, prestando assistência a quem está avançado no sertão 4. Projeto papa-capim: Projeto de resgate cidadão através da arte-educação com cunho cristão. Atualmente funcionando no Povoado de Caiçarinha da Penha, no município de Serra talhada, sertão pernambucano.
07, 08 e 09 Recepção e treinamento da equipe irá ao PES no Povoado Ermo –RN
17 e 18 Participação no PES no Povoado Ermo – RN
19 e 20 Projeto Missionário da JUVEP, em Aurora - CE
31 - Projeto missionário no IV Distrito de Caruaru, com Ministério Coração Nordestino
Fevereiro:
13 -Déboras de João Pessoa
14 e 15 PES no Povoado de Camutanga – PE
21, 22, 23 e 24 Acampamento em Aracaju – Igreja Presbiteriana 12 de Agosto (Marcos)
21, 22, 23 e 24 PES em Poço Redondo – SE (Bill Crente)
Março:
08 Feijoada da MPC Garanhuns
14 e 15 PES no Sítio Lagoa Seca, São João – PE
21 (noite) e 22 (manhã) Igreja Congregacional de Belo Jardim - 22 (noite) Anviersário da congregação de Caiçarinha da Penha
28 e 29 PES no povoado de Feitoria – PE
Abril:
03 à 12 Viagem de divulgação de missões (Porjeto sal da Terra Pela Estrada) e Som do Céu
. 05 Oitava Ig. Prsbiteriana de Belo Horizonte
. 12 À noite Igreja Presbiteriana de Brotas, Salvador - BA
18 (noite) Igreja Batista de São Bento do Una (or i.Fer. nor)
25 (tarde e noite) e 26 (manhã) Igreja Batista em Santa Luzia – AL - Igreja Presbiteriana do Pina - Recife - PE
Maio:
02 e 03 Igreja Presbiteriana em Cruz das Armas, J. Pessoa –PB
21, 22 e 23 congresso SEPAL em Serra Talhada – PE
24 - Evangelismo em Pesqueira
Junho:
06 (tarde e noite) e 07 (manhã) Igatu – CE (noite)
19 - Igreja Cong. Vale da Bênção em Caruaru
20 - Duarnte o dia Primeira Presbiteriana de Caruaru; a noite Igreja Betesda
21 - Primeira Igreja Presbiteriana de Caruaru - até meio dia - A noite Primeira Igreja Congregacional
27 (noite) e 28 (manhã e noite) Simpósio de Missões na Igreja Presbiteriana do Jordão Alto, Recife – PE
Julho:
4 Aniversário do CEO (À noite)
12 Igreja Batista do IPSEP (À noite) - Recife - Missões no sertão
13 Convensão da Igreja de Cristo Pentecostal no Brasil em Recife
18 (tarde e noite) e 19 (pela manhã) PES São José Da Lagoa Tapada - PB; Projeto missionário da Juvep
24 - (Noite) I Igreja Batista do Recife
25 - Sítio Serra Branca (almoço) Igreja Batista de Ibimirim (Noite)
26 - Igreja Batista de Itaíba (Manhã)
Agosto:
01 02 Conferência Missionária, Igreja Betesda do Conjunto Ceará, Fortaleza – CE
08 - Ação social na massaranduba (IV Igreja)
15 - Igreja Presbiteriana de Maceió
22 e 23 - Igreja Presbiteriana da Asa Norte - DF, Conf. Missionária
29 (noite) e 30 (manhã)Encerramento do mês de Missões da Ig. Presbiteriana das Graça, Recife – PE
30 - À noite Igreja Batista em Amaraji - PE
Setembro:
12 Catolé do Rocha - PB
13 Tavares - PB manhã e Recife a noite (Batista regular do Jordão)
18, 19 e 20 - PES no Povoado do Alto das Negras - AL
26 Aniversário da Igreja Presbiteriana em Terrezinha - PE
Outubro: 10, 11 e 12 - Aniversário da MPC Garanhuns 15 reunião com irmãos do RN 17 e 18 Congresso na Ig. Presb. da Encruzilhada 23 à 25 Acampamento das crianças da 12 de agosto em Aracaju. 31 Povoado Lagoa de São José - Pós PES.
Novembro 14 - Sítio Cajarana - pós PES
21 e 22 Conferência missionária em Ouricuri - PE
Dezembro: 04 à noite Congregacional de Macaparana
05 Déboras (Nina)
13 Brejão IPB
19 e 20 Projeto Natal Sertanejo em Caiçarinha da Penha, Sítio Serra Branca e Alto de Negras
PS.: A agenda para o ano de 2009 está, praticamente, organizada, havendo poucas datas disponíveis. Nossa prioridade são as ações de evangelismo em pequenas localidades do sertão nordestino (sítios e povoados) e divulgação de missões nas Igrejas dos centros urbanos maiores. Por uma necessidade de foco ministerial, nós não participamos de programações de entretenimento gospel. Pré-agendamento 2010 Janeiro – 16, 17 e 18 Projeto missionário do Sal da Terra 30 - Congresso Jovem - VC (Voluntário de Cristo)
Fevereiro 13 - Acampamento - Sal da Terra 14 Encontro da conciência Cristã - Campina Grande 15 e 16 Acampamento – Sal da Terra 27 e 28 Igreja Batista Vale do Jordão
Março 11 Congresso a SAF 12, 13 e 14 Fortaleza congresso de louvor 27 e 28 PES
Abril 01, 02, e 03 SDC Belo Horizonte 17 e 18 Igreja Presbiteriana de Paulo Afonso – BA
Maio 08 e 09 PES
Junho 04 a 06 Congresso da Déboras – Brasília DF
26 e 27 Kolayos no sertão do pajeú Julho
10 Acari - RN, Evangelismo em praça Pública
30 e 31 Sarau da Comuna - São Paulo
Agosto
01 a 08 Divulgação de missões - São Paulo
28 e 29 Conf. missionária da Presbiteriana das graças
Setembro
24, 25 e 26 - Igreja Batista Parque Anchieta - Rio de Janeiro
Numa das nossas caminhadas pelo sertão, encontramos com dois antropólogos e uma assistente social, funcionários do governo que, por coincidência, marcaram uma visita no mesmo dia e lugar em que nós estávamos fazendo um PES (Programa de Evangelização do Sertão). A impressão que tivemos é que eles não se sentiram muito confortáveis com a nossa presença, talvez por que, para alguns destes profissionais, os"crentes" atrapalham a sua tarefa de cuidar e de preservar as raízes culturais de um povo. E nós estávamos ali onde, presumidamente, se tratava de uma gente remanescente quilombola, pregando o Evangelho de Jesus que, de fato, muda a história das pessoas... Cachaceiro deixa a cachaça, "cabra brabo" fica manso, família desintegrada se recompõe, e por aí vai... Aqueles doutores que estavam ali, entrevistavam os nativos do lugar, enquanto que nós, no mesmo cenário nos movíamos para lá e para cá cuidando das nossas atividades de cunho evangelístico. Uma das nossas voluntárias, talvez por curiosidade, se aproximou do local da entrevista e ouviu o antropólogo "repórter" perguntar a uma nativa a quem entrevistava: - Você não acha que estas pessoas estão vindo ao sertão ensinar coisas que podem afastar vocês das suas tradições? - Se muda eu não sei - argumentou a entrevistada - Eu só sei lhe dizer é que muita gente já passou por aqui prometendo coisas e nunca fez nada, já os "crentes", nunca prometeram nada e estão fazendo alguma coisa por nós. O entrevistador perdeu o argumento e mudou de assunto. Eu fiquei satisfeito com este fato, pois ele testificou que, pelo menos naquele dia, estávamos agindo de maneira coerente ao Santo Evangelho. Levando amor ao invés de falácia; ajudando ao invés de implicar; cuidando ao invés de jogar conversa fora; promovendo (pela pregação da Palavra) mudança, ao invés de agir na turma do "deixa como está"; dando ao invés de esperar receber; agindo por aqueles aos quais a sociedade dar as costas, cria obstáculos, exclui; Sendo o que Deus espera de nós, mesmo que para isso tenhamos que contrariar alguns.
Alto de negras é um um povoado, situado no sertão de Alagoas, no município de Canapi, e a exemplo de tantas outras localidades sertanejas, apresenta índices sociais extremamente desfavoráveis. Lá, 81% da população é analfabeta, só 16% das residências têm sanitário, o lixo é jogado à ceu aberto, várias residências são de taipa, não tem revestimento no piso e toda comunidade não utiliza água tratada.
Aliás, este é o retrato do sertão... esquecido de tudo e de quase todos, este povo hospitaleiro, generoso e tão cantado pelos poetas, vive, praticamente, entregue a própria sorte. Pessoas que, infelizmente, se encaixam perfeitamente no perfil de excluídos socias.
Porém, se não bastasse a exclusão social reinante no lugar e que tem abatido aquela gente, as religiões, em seus vários credos, não têm dado importância significativa ao lugar, já que até pouco tempo, o apoio espiritual da comunidade vinha, tão somente de uma benzedeira, moradora do local, que no vácuo do desprezo e indiferença que lhes são comuns, era a única referência religiosa presente que se conhecia. Diante destes fatos a Igreja Batista de Itaíba, juntamente com sua pequena congregação em Negras - ambas situadas no vizinho sertão pernambucano - uniram-se num ousado esforço missionário e mesmo com muitas limitações, pois são comunidades com um pequeno rebanho e com grandes limitações financeiras, partiram para ações práticas de resgate espiritual e social. Com atitudes, que para o homem da cidade grande são simples, quase imperceptíveis, mas para aquele que é tão desprovido de amparo, tem tomado dimensões extraordinárias. Por exemplo, talvez você não dê a mínima importância a iluminação pública que tem na frente da sua casa, afinal ela sempre esteve ali, mas este simples fato, proporcionado pelos irmãos de Itaíba e Negras, em apenas um poste, foi motivo para que muitos ficassem em frente de casa até altas horas... As crianças brincando enquanto os adultos proseavam animadamente. > E o que dizer de ganhar um basculante para quem tinha apenas uma pilha de tijolos fechando a janela; roupa para quem quase não tem nenhuma; comida para quem está apertado; uma casa para quem estava vendo a sua prestes a cair...
Dona Zuleide, que foi beneficiada com a substituição da sua antiga casa de taipa por uma de alvenaria, questionou: - Eu fiquei pensando, como Deus foi bom comigo em ter me dado esta casa, mas eu sei que por aqui tem gente ainda “mais precisada” do que eu...
Ainda há muito que ser feito no Alto de Negras, há muito que ser feito no sertão nordestino, pois como disse Dona Zuleide: “existe gente “mais precisada” do que eu e do que você que agora lê este breve relato. É necessário então, que nos mobilizemos em favor da obra missionária. Isso mesmo, é preciso que sigamos o exemplo dos irmão de Itaíba e Negras Que Deus nos dê um coração generoso e preocupado com o próximo, um coração como o de Dona Zuleide.
Agora no mês de agosto, estivemos visitando a Igreja Batista de Itaíba, no sertão de Pernambuco. Encontramos ali um povo animado e atuante, avançando pelo sertão em ações genuinamente missionárias. Em novembro do ano passado a gente tinha ido ali e, na ocasião, realizamos um P.E.S, no povoado de Negras, junto aos irmãos da igreja de Itaíba e a outros que se juntaram a nós, plantando uma Congregação Batista no local. (Sede provisória da Congregação Batista em Negras)
Para nossa surpresa, encontramos aquela congregação gozando de uma vitalidade impressionante! Apesar de ser tão novinha, já estava plantando outra congregação, desta feita no povoado vizinho, quase homônimo... Alto das Negras. Os irmãos de Itaíba haviam se mobilizado e já tinham comprado o terreno onde será construído o templo de Negras e ficamos admirados quando vimos que eles também tinham adquirido o terreno do Alto das Negras e já estavam contruindo ali. (construção da Congregação do Alto das Negras) Alto das Negras é uma pequena comunidade de, aproximadamente, 200 habitantes. Que fica numa situação política e geográfica, totalmente, desfavorável... Sertão de Alagoas, a 30 Km da cidade sede do munícipio a que pertence (Canapi) e a 200 metros de Pernambuco, separado do povoado de Negras, praticamente por um riacho. (Vista de parte do Alto das Negras) Resultado desta situação: O lugar é próximo demais de Pernambuco, que não tem nenhuma obrigação social com Alagoas e longe demais de Canapi, que é uma cidade cheia de limitações. Sua população vive em condições pouco favoráveis ao desenvolvimento, muitos de seus moradores se encontram abaixo da linha da pobreza... Educação, saúde, moradia e outras necessidades básicas são muito deficientes. Como se não bastasse, a assitência espiritual cristã era, até a chegada dos irmãos batistas, ZERO! Não existia nenhuma iniciativa neste sentido.
O Pastor Davi, o missionário Edvaldo e a sua família, e demais irmãos de Itaíba e Negras chegaram dispostos a enfrentar o gigante do abandono espiritual e social que vivem aquelas famílias. (Pr. Davi, sua equipe e alguns de nós do sal da terra)
Nossa estratégia é a seguinte: - Realizar um P.E.S (Programa de Evangelização do Sertão) aparitr do dia 18 a noite, até o dia vinte, com atividades de evangelismo casa à casa, evangelismo com crianças, culto evangelístico, serencesta (serenata com distribuição de cesta básica), Corte de cabelo, dentista, substituição de casa de uma casa taipa por alvenaria...)(vista da parede lateral da casa) Pintura da escola, das carteiras escolares e reforma da instalação elétrica (Vista da escola) - Temos ainda como objetivo planejar algumas ações sistemáticas em melhorias habitacionais (muitas residências são de taipa) e educacionais com a implantação do Projeto Papa-capim.
Pedimos as orações da igreja e a participação de toda comunidade nesta frente missionária integral.
Vemos nestes dias, no Brasil, acontecer um momento de grande crescimento do "Povo de Deus". Dados estatíscos apontam que são mais trinta milhões de evangélicos que existem em nossa querida nação brasileira, um verdadeiro gigante. Este crescimento é estampado nas emissoras de rádio e tv que têm "entupido" suas grades com programas "evangélicos" que, nem sempre, têm teor adequado a proposta do Evangelho, pois não passam de balcões de comércio de artigos gospel e "bênçãos" que vão de viagens a terra santa à carrões, de mansões à iates... Um fantástico mundo de ilusões que destoa, escancaradamente, da realidade da Igreja estabelecida por Jesus Cristo. O crescimento deste gigante ("povo de Deus") torna-se notório, também, quando verificamos o quanto as ruas dos nossos centros urbanos estão ficando congestionadas de denominações, numa incrível multiplicidade de divisões de igrejas e do surgimento de novos "ministérios". Um fato que pelos resultados práticos que tem apresentado, demonstra que o crescimento está mais para "metástase" do que para expansão do Evangelho. Todos os dias aparecem novas igrejas com nomes que sugerem uma doutrina, no mínimo, questionável, como por exemplo a Congregação Anti-Blasfêmias, a Igreja Evangélica de Abominação à Vida Torta, ou ainda a Igreja Evangélica Pentecostal a Última Embarcação Para Cristo, Igreja Automotiva do Fogo Sagrado, Igreja Batista A Paz do Senhor e Anti-Globo, Associação Evangélica Fiel Até Debaixo D’Água, Igreja Dekanthalabassi, Igreja Cristo é Show, Igreja E.T.Q.B (Eu Também Quero a Bênção) e entre tantas outras denominações a Igreja Evangélica Pentecostal Cuspe de Cristo! Este "show da fé" contrasta com a realidade missionária que vivemos no Brasil, mostrando claramente que enquanto o gigante dorme sonhando com um carrão, mansão e iate... milhares e milhares de pessoas, sob as suas barbas, não têm teto, não têm pão, não sabem quem é Jesus. Nestes dias estivemos com o Sal da Terra numa das comunidades, as quais o gigante adormecido tranca os olhos. Zé Gomes, um povoado sertanejo, no município de Exu, que até então não tinha nenhuma referência do Evangelho do Nosso Senhor Jesus. E para compor a nossa equipe, Deus levantou uma jovem de vinte e quatro anos de idade, Ilse Roskam, compositora e professora de música em Amisterdã na Holanda. Ilse juntou dinheiro o ano todo para vir ao Brasil, dedicar suas férias para anunciar a Cristo, abençoar nossa nação sertaneja. (veja uma das suas participações em http://www.youtube.com/watch?v=7MHbYkeQT3M&feature=channel_page)... uma vergonha para o gigante sonhador, que reluta em ver, por exemplo, a situação do Sertão, das tribos indígenas e dos sul do país. Quanto a nós, igreja brasileira, cabe aqui um questionamento bem simples: Até quando este gigante estará deitado no esplêndido e letárgico berço da indiferença? Até quando este sonhador "capetalista", rico em slogans como "O Brasil é do Senhor Jesus", continuará com sua pífia trajetória missionária, que não se traduz em ações práticas e relevantes em prol dos não alcançados pelo Evangelho? Até quando precisaremos que o Senhor levante, de tão longe, gente que tem a mão, de fato, no arado, verdadeiramente comprometida com Cristo, para ajudar os poucos que têm se envolvido com a Sua obra em nossa terra? Temos dois exemplos distintos, o exemplo do gigante sonhador que dorme indiferente, e o exemplo de pessoas como Ilse Roskam e de outros valentes brasileiros, que têm dedicado o melhor das suas vida ao Senhor e a Sua Obra. Sonhar com superficialidades ou trabalhar para ver pessoas transformadas pelo Evangelho? Um pijama ou um arado? Qual a atitude a seguir?
"Pelo Senhor marchamos, sim! O Seu exército, poderoso é..." Cotidianamente, somos incentivados a marchar. Marcharmos pela paz, marcharmos por melhores salários, marcharmos de cara pintada, contra a corrupção, marcharmos pelo direito a terra para plantar e contra o latifúndio... E, de fato, marchamos sempre que achamos ser necessário marcharmos. Marchamos em oposição aquilo que consideramos incorreto ou injusto. Marchamos a favor das nossas causas, aquelas que consideramos nobres. Em alguma ocasiões (especiais ocasiões), temos marchado com o Sal da Terra pelas ruas dos povoados sertanejos (foto), numa atividade que chamamos de Protesto Contra o Pecado. Sem "denuncismos" contra pessoas, nem contra instituições, mas contra os erros que cometemos e que ofendem a glória de Deus, que prejudicam nossos semelhantes e a toda criação. A nossa responsabilidade como Igreja é marchar. Marchar não só pelas ruas e estradas, mas também marchar pelos corredores dos hospitais, pelos pavilhões dos presídios, pelos becos das favelas, pelos charcos dos mangues, pelas veredas sertanejas, pelas aldeias, pelos guetos... É preciso marchar. Marchar a favor do pecador e contra o pecado; contra a corrupção que corrói o coração e pelo coração corrompido; contra a devastação e pelo devastador, pelas matas e nascente... Por Deus e contra o império das trevas. Jesus nos deu exemplo de como marchar, por quem marchar e contra quem marchar. Tal fato ocorreu quando Ele percorreu a via dolorosa, carregando sua cruz. A despeito da dor, do opróbrio, do cansaço e de toda limitação humana. Ele marchou exemplarmente a favor do homem corrompido pelo pecado e contra o pecado que abate a humanidade. A marcha do Mestre foi por mim e contra os meus delitos, não só para me resgatar da morte e das consequências que advém do pecado, mas para me ensinar que eu também preciso marchar. Ele não andou pelas ruas com uma multidão... Ele marchou para o seu alvo, a cruz. A marcha que Deus nos propõe, através de Cristo, tem objetivo, por isso é preciso desenvolvê-la com fé, lógica, seriedade e sem estardalhaços, sem "pirotecnias". É preciso marchar pelo bem comum e por amor Daquele que ordena: "Diga ao meu povo que marche"
Em Pernambuco, no Quarto Distrito Rural de Caruaru, numa feliz investida evangelística, Damião, um matuto morador daquelas bandas foi alcançado pelo amor de Deus. Um homem envolvido com os movimentos culturais de base, lá no Sítio Serrote dos Bois, zabumbeiro “marrudo”, “triangueiro” de marca maior, entregou sua vida a Jesus... Largou a "bebedice", o cigarro, a jogatina, a prostituição, “deu de mão para o pecado”, “passou pra lei de crente”, pela graça de Deus se tornou uma nova criatura. Mas, ainda na alegria do primeiro amor, teve uma notícia que o deixou sem jeito. Um religioso, “cheio de boas intenções” o advertiu:
- Damião, esqueça a zabumba e o triângulo. Daqui para frente você é um servo de Deus e Deus não gosta dessas coisas!
Damião engoliu seco. A notícia bateu no seu coração como uma paulada. De forma que a situação entristeceu aquele “cabra” recém-convertido. Porém, como todo bom matuto, o sujeito ficou desconfiado com a história...
- “Ôxente!” Onde é que tem isso na bíblia?
Perguntou Damião a si mesmo. Então, começou uma busca bereana, de Gênesis a Apocalipse, procurava diligente onde era que tinha na Bíblia que tocar zabumba era pecado. Procurou, procurou e nada... Não havia nenhuma referência no Livro Santo, do repúdio de Deus aos seus queridos instrumentos musicais. Damião, convertido, se convenceu:
- O irmão “tá” errado!
Concluiu categórico. E a partir daí começou a tentar convencer seus líderes a deixá-lo fluir na condição de músico regional. Tentou daqui, tentou dali até que conseguiu dobrá-los. Resultado: Hoje ele toca sua zabumba, num grupo que ele mesmo fundou, chamado Banda Sertão Cristão Nordestino, junto com outros forrozeiros convertidos. Evangelizando seus vizinhos do Quarto Distrito Rural de Caruaru e tantos outros conterrâneos, da imensa região brasileira chamada sertão nordestino.
De fato, Damião está com razão, tem fundamento as suas convicções, não há pecado em ser cristão contextual, mas onde começou toda esta história de que tocar zabumba e triângulo na igreja é pecado? Esta celeuma vem lá da origem da Igreja no Brasil. Muito embora seja inegável a importância que a igreja tem, ao longo da sua existência, como promotora de cultura, onde grandes pensadores, artistas, educadores, teólogos e tantos outros cristãos, têm contribuído com a cultura na qual estão ou estiveram inseridos. Particularmente, desde os nossos primeiros missionários, constatamos uma patente preocupação e zelo destes pioneiros evangelistas na instituição de estabelecimentos de ensino, que contribuíram, de forma profícua com o enriquecimento cultural de várias gerações (veja por exemplo, a criação dos colégios batistas e da escola Mackenzie). Por outro lado, boa parte destes mesmos pioneiros religiosos, rechaçou as manifestações culturais populares brasileiras, expressas por uma gama extraordinária de ritmos, folguedos, figurinos e tantos outros costumes e elementos que nos são peculiares (entre eles, por exemplo, o forró de Damião e sua zabumba). Como se estes homens, vindos de terras tão distantes, com tanta abnegação e obediência ao Pai, tivessem trazido na bagagem, além da Bíblia, a sua cultura. Sendo que a Bíblia eles pregaram com amor e a cultura eles impuseram com rigor.
Ainda hoje, em muitas comunidades cristãs, notamos o mesmo empenho e esforço na promoção da formação acadêmica da sociedade na qual estão inseridas, fato que é louvável, mas infelizmente, ao mesmo tempo, inapropriadamente, estas mesmas instituições criam barreiras enormes, verdadeiras cortinas de ferro nas suas portas, deixando do lado de fora toda riqueza da cultura popular brasileira, e não só isso, tentam desestimular a Eclésia a fomentar quaisquer tipo de produção cultural que aponte no sentido do que é nosso.
Talvez por zelo inadequado ou preconceito, a mensagem do Evangelho que rende tantos frutos, muitas vezes vem aliada, de maneira anacrônica, a exclusão de um culto contextual, moldado à nossa belíssima cultura. Somem-se a este fato, os esforços que são envidados em ensinos de falsos conceitos sobre o uso destes mesmos elementos fora do ambiente eclesiástico. Desaconselhando a igreja a não se envolver com “coisas” como a zabumba e o triângulo de Damião. De forma que, as mesmas pessoas que têm enriquecido a tantos com o ensino da graça redentora de Cristo e na formação acadêmica dos seus seguidores, atuam empobrecendo o meio em que vivem, pelo afastamento das nossas expressões culturais de raiz. Sucedendo que a mesma igreja que constrói grandes estabelecimentos de ensinos e belas catedrais, ao mesmo tempo moldou estas instituições à cultura estrangeira. (leia-se: principalmente, americana e européia).
Que grande desperdício! Um lamentável equívoco, que ainda hoje encontra seio, entre muitas igrejas históricas. Onde a definição do que é sacro e do que é profano, se confunde entre o que é americano e o que é brasileiro, entre o que é britânico e o que é tupiniquim, entre o que é popular e o que é erudito. E vai caminhando assim, patinando na lógica e na razão, se fechando radicalmente a tudo o que é próprio do nosso povo, com se a graça comum fosse incapaz de alcançar nossa querida nação brasileira, ou como se o dom criativo popular fosse propriedade do pecado, ou “coisa do capeta”, como se Deus fosse apenas, Deus para os eruditos.
Porém, como todo movimento reacionário incita uma manifestação contrária, esta “clausura cultural cristã”, parece ter suscitado, principalmente, entre os neo-pentecostais, uma nova comunidade disposta a quebrar paradigmas, a romper de vez com o tradicionalismo, que impôs limitações a produção cultural. Porém, esse contra-movimento, veio com tanto ímpeto que, em muitos casos, ultrapassou as raias do bom senso, caindo no outro extremo, fato que não é difícil se verificar. Veja quantas expressões culturais que conflitam com a Palavra de Deus têm sido corrente no nosso meio. Muitos dos “nossos” cultos, por exemplo, estão impregnados da cultura afro-religiosa, extrapolando todos os limites do sincretismo. É só ligar a televisão e o que se vê, na maioria das vezes, é um Pr. vestido de pai de santo promovendo sessões de descarrego, ou culto da rosa ungida, entre outros e outros descaminhos.
O uso inconseqüente da cultura popular tem dado uma contribuição significativa ao enfraquecimento do evangelho vivido atualmente na igreja brasileira. É onde zabumba de Damião pode se tornar nociva. Quando ela é tocada para fazer a moçada dançar forró. Quando de ferramenta a serviço do Reino, passa a ser um instrumento a serviço da indústria (riquíssima) do entretenimento gospel. A qualidade do que se canta, do que se dança e das peças teatrais, muitas vezes, tem se tornado questionável, pois a base bíblica das letras e dos textos empregados tem dado lugar, desnecessariamente, ao popularesco inócuo. Neste caso a igreja faz um desserviço à cultura e principalmente ao Evangelho.
Fazendo uma leitura rápida do Evangelho, de como Jesus se comportava diante da cultura que ele vivia, é notória a sua naturalidade a esse respeito. Ele era um cidadão comum, nem fugia dela, nem tão pouco a exaltava. Ele simplesmente vivia dentro do contexto cultural da época. Quando falava aos pescadores, suas narrativas eram dentro deste contexto cultural. Aos agricultores, suas parábolas eram sobre agricultura. Quando se dirigia aos religiosos Ele usava as Escrituras Sagradas com habilidade e conhecimento.Em meio aos doutores era um erudito que encantava desde a adolescência. Jesus cantava as músicas que todos cantavam, usava vestes iguais a que todos se vestiam, comia o que todos comiam, ia a festas como todo mundo ia... Um homem inserido no meio do povo, de tal forma que para que os que vieram prendê-lo pudesse o reconhecer, foi combinado um sinal, um beijo.
Que nós aprendamos com o Mestre, que não tenhamos medo da cultura a ponto de castrá-la, nem tão pouco a utilizemos a serviço do besteirol ou do mercado, fatos tão comuns atualmente. Há uma mensagem maravilhosa a ser pregada. Milhões e milhões de pessoas precisam saber das boas novas. Damião com sua zabumba tem usado este veio maravilhoso, tantos outros discípulos de Jesus têm trilhado nesta mesma direção e produzido com sucesso. Que a igreja possa utilizar com racionalidade de toda riqueza cultural que dispomos, para glorificar a Deus e fazê-lo conhecido entre as nações.